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Pandemias: o que não estão te contando

Atualizado: 1 de mar. de 2021

O Coronavírus/COVID-19 se tornou a pandemia do momento, mas não para a surpresa de alguns. Apenas poucos meses antes do primeiro caso da doença ser registrado, a Netflix gravou um documentário chamado “Explicando a Próxima Pandemia”, com a participação de Bill Gates, e sua similaridade com o cenário atual é de impressionar.


Porém, até eu mesma já previa que algo do tipo aconteceria cedo ou tarde, e não porque sou uma especialista no assunto ou porque tenho poderes premonitórios, mas sim por olhar para o passado e constatar que muitas pandemias são zoonóticas, ou seja, chegaram até os humanos por meio de animais, como o caso do H1N1 (suínos), Gripes Aviárias (aves), HIV (chimpanzés), Nipah (morcegos-porcos), MERS (camelos), Ebola e SARS (morcegos), dentre diversas outras.


Pois com o COVID-19 não foi diferente. Já sabemos que o epicentro desta pandemia foi o mercado de carnes de Wuhan, na China, onde animais variados, incluindo selvagens, são vendidos ainda vivos e abatidos na hora. Pesquisadores acreditam que o primeiro hospedeiro do vírus tenha sido um morcego, que então contaminou um pangolim, que então contaminou o primeiro humano neste mercado.

    Pangolins sendo comercializados na Malásia

Aliás, o próprio COVID-19 e também o MERS são apenas variações mais recentes do vírus SARS (sigla para Síndrome Respiratória Aguda Grave), que começou a infectar humanos já em 2002, também na China.


Logo, se o ser humano insiste no contato forçado e predatório em relação aos animais é certeiro que novas zoonoses vão emergir disso, como já vem acontecendo há muitos anos. E mais, o aumento na demanda por proteína animal, bem característica das últimas décadas, só agrava o problema.


O panorama funciona assim: tiramos os animais de seu habitat natural, para então os confinar, aglomerar, explorar, abusar, matar e esquartejar. Misturamos espécies diferentes em um mesmo ambiente – o que quase não aconteceria na natureza livre – e misturamos seus restos mortais. Resultado: criamos ambientes não só cruéis e nojentos, mas também muito favoráveis para que vírus variados se encontrem, mutem e pulem para humanos, como foi o caso do COVID-19 no mercado de carnes de Wuhan.


O homem, em sua insanidade, depreda e explora a natureza e os animais sem pudor, gerando um desequilíbrio tão grande ao ponto de propiciar a proliferação de doenças entre os animais. Não satisfeito, o homem come esses animais doentes e acaba por contrair suas doenças, propagando-as, assim, entre a raça humana.


Outro exemplo notável disto é a doença da Vaca Louca (Bovine Spongiform Encephalopathy - BSE ou Mad Cow Disease), que ataca o sistema neurológico. Esta doença brutal surgiu porque bovinos eram forçados a praticar canibalismo quando fazendeiros britânicos começaram a misturar restos mortais de outros bovinos em suas rações. Os bovinos canibais logo começaram a ficar doentes, infectando posteriormente as pessoas que ingeriram suas carnes.


Todo esse sistema de exploração de animais vem fazendo com que cada vez mais novas doenças surjam, e mesmo que haja algum tipo de esforço no sentido de amenizar o crescimento das doenças decorrentes dessa exploração, sempre haverá uma consequência muito negativa. Afinal, a própria exploração é a raiz do problema.


É como no caso da pecuária quando injeta antibióticos nos animais de forma indiscriminada, a fim de evitar que eles fiquem doentes. Claro, se assim não fosse, certamente os animais adoeceriam, pois são confinados, aglomerados e manipulados de uma forma repugnante. E antes que alguém venha pensar em bem-estarismo animal, já esclareço que ele é impossível em produção de larga escala, e não há como não produzir em larga escala quando bilhões de pessoas ao redor do mundo consomem animais e seus derivados diariamente.


Pois bem, a consequência nefasta deste uso indiscriminado de antibióticos em animais, que deveria ser positivo, pois visa evitar doenças, é motivo de grande preocupação entre os especialistas, já que vem tornando as bactérias cada vez mais resistentes. Sem falar no fato das pessoas que comem estes respectivos animais estarem ingerindo indiretamente os antibióticos.


Por último, deixo aqui mais um dado alarmante sobre este ponto: mais da metade dos antibióticos produzidos no mundo é destinada para o uso em animais pela pecuária! Você está conseguindo entender a dimensão dessa problemática? Espero que sim.


E por que será que ninguém – exceto a massa crítica vegana – bate na tecla da exploração dos animais pelo ser humano como a raiz desta e da maioria das pandemias? Eis a questão. Acho que as pessoas preferem ignorar essa evidência para não serem forçadas a mudar seus hábitos de vida, os quais incluem a exploração dos animais.


Contudo, não podemos ignorar o fato de que três em cada quatro doenças infecciosas novas ou emergentes que acometem as pessoas vêm de animais, e que o aumento na demanda por proteína animal é um dos principais fatores de risco de uma pandemia!


Como já explicitado acima, a maior parte das doenças infecciosas em humanos e suas respectivas pandemias advém do contato com animais doentes. Por sua vez, tal contato ocorre, em grande parte, por conta da exploração desses animais para o consumo, e pode se dar no momento da criação, manipulação, transporte, abate, desmembramento, venda ou consumo final do animal. Mas o que realmente importa não é como ocorre o contato em si, mas por que ocorre o contato, e a resposta é simples e direta: porque, no final das contas, humanos comem animais.


Em todas as partes do mundo pessoas comem animais, e o tipo de animal que será escolhido do cardápio é mera questão cultural. Só que os vírus não ligam para a cultura humana. Eles podem se hospedar em morcegos, pangolins, galinhas, porcos, vacas, ou qualquer outro animal, então não achemos que a culpa é sempre da China só porque lá eles comem animais diferentes dos que comemos no Ocidente. Matar animais, seja qual for, está nos matando.


A COVID-19 é apenas a mais recente de tantas outras pandemias que a precederam, tendo em comum com elas o fato de ter sido transmitida ao homem por animais. Se não cortarmos o mal pela raiz, ou seja, se não acabarmos de vez com essa relação literalmente doentia que temos com os animais, podemos anotar na agenda a próxima pandemia.


E digo mais, se continuarmos assim há fortes chances de que em algum momento não tão distante surja uma pandemia muito mais letal, rápida e diferente de tudo que já vimos antes, ao ponto de dizimar toda ou quase toda raça humana do planeta.


Longe de mim ser pessimista, me considero até bastante otimista para a média. Mas também sei ligar os pontos, e o cenário que vejo não é nada favorável se continuarmos a impactar tão negativamente a natureza como viemos fazendo nas últimas décadas.


O consumo de animais não é negativo só porque é mola propulsora de pandemias. Ele também devasta nossas florestas, polui nossos rios e atmosfera, gera aumento na temperatura global, entope nossas artérias e nos causa câncer, sem mencionar a crueldade contra os animais. Ademais, o consumo de animais está nos mantendo presos a um estado vibratório baixíssimo, e dele não sairemos enquanto abusarmos, torturarmos e matarmos cerca de 75 bilhões – sim, eu disse bilhões – de animais a cada ano!


Simplesmente não tem como falar em prevenção de pandemias sem falar em acabar com o holocausto animal. – Ai, Krystal, que palavra forte para se usar: holocausto! Assista aos documentários Terráqueos/Earthlings e Dominion e tire você mesmo suas conclusões. Esse holocausto está custando não só a existência dos animais, como a nossa própria. Só não vê quem não quer.


Já não poderemos mais voltar ao normal quando essa pandemia passar, justamente porque o “normal” é o problema. Se o nosso “normal” não fosse um problema, provavelmente a natureza não responderia aos nossos atos com mais uma pandemia. E não, não acho que pandemias são tão naturais assim e que independem da ação do homem. Entendo que uma pandemia é uma mensagem e ao mesmo tempo uma forma que a natureza encontra para reestabelecer seu equilíbrio, e ao dizer isso compreendo que a natureza não está separada de nós e agindo contra nós; sei que estamos todos conectados.


Você provavelmente viu imagens de locais que finalmente conseguiram “respirar” diante da quarentena humana em massa. Os canais de Vezena, na Itália, ficaram límpidos pela primeira vez em muitos anos. A poluição que pairava sobre diversas cidades se dissipou, deixando o céu também mais limpo e fresco. Animais que quase não eram vistos começaram a circular em diversos lugares. Se isso não é uma prova de que existe uma importante mensagem por trás da pandemia, te aconselho a refletir um pouco mais.


Nós dependemos da natureza para sobreviver. Dependemos dos minerais, vegetais e animais, mas nenhum desses reinos depende de nós! Deveríamos ser os maiores interessados na manutenção do equilíbrio da Terra, mas agimos como se tivéssemos outro planeta para habitar quando esgotarmos todos os recursos naturais daqui.


Achamos que somos o “topo da cadeia alimentar”, “a raça superior” e que “todos os animais existem para nos servir”, mas basta um vírus invisível a olho nu para nos mostrar que não somos nós quem mandamos.


É hora de entendermos a mensagem da mãe natureza: desacelere, reflita sobre seus hábitos e sua forma de coexistir neste planeta. É hora de desenvolvermos novos tipos de relações: sustentáveis, humanas, sem morte, exploração e segregação.


Caso contrário, a Terra vai continuar a fazer o que for preciso para atingir seu equilíbrio. Enquanto nossa atuação sobre ela for predatória, justamente como é a dos vírus e das células cancerígenas, os quais destroem o organismo sem o qual não conseguem sobreviver, nosso planeta vai acionar seu próprio sistema imunológico e se livrar do agente patogênico humano. A natureza não se vinga, ela se autopreserva. E tá errada?

 
 
 

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